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quinta-feira, 31 de março de 2016

Meu desligamento das Assembleias de Deus

Daqui para frente, caminharemos assim...

Nasci e cresci nas Assembleias de Deus. Já fui secretário, tesoureiro, porteiro, cooperador, músico, líder de jovens, e pasmem, até regente. Fui para o seminário teológico, me formei, virei professor. Separado ao ministério Pastoral, fui relator do conselho para jovens em convenção, fiz parte de convenção estadual (não foi do Paraná) e também da CGADB. Preguei em muitas igrejas em diversos lugares do nosso Brasil e também pastoreei como obreiro integral.

Enfim, por bastante tempo, estivemos dentro da instituição, como parte dela, tentando fazer o melhor que conseguíamos, enquanto podíamos, e com as ferramentas que possuíamos. Por um tempo sobrevivemos pelos recursos dela; mas por descontentamento de coisas que iam contra nossos princípios, preferimos não caminhar mais juntos. Em Romanos diz que Bem aventurado é o homem que não se condena naquilo que aprova, por isso nossa decisão. Já faz um tempo que entendemos que a igreja não se resume a placas, nem tão pouco paredes, mas a igreja são as pessoas. Mas pode surgir a pergunta: Mas pq ficou até hoje?
O que fazias dentro dessa igreja? Minha resposta é simples: Cresci nesse contexto, minha família e meus amigos também eram desse ambiente, e ainda o é. Não posso negar o carinho e apreço que nutri emocionalmente com essas pessoas. Também não nego que aprendi e que fui moldado nesse meio. Mas, assim como Paulo decidiu separar-se de Barnabé e trilhar seu caminho, hoje entendemos que essa é nossa melhor decisão. Decisão para a vida!

Não, eu não estou ficando louco, não estou deixando Jesus, muito pelo contrário, me aproximo cada vez mais dEle. Porém, com sobriedade me afasto desse sistema religioso.
Levando em consideração que os incomodados que se mudem, não podia mais ficar. Alias, não seria coerente ficar e viver reclamando o tempo todo de um sistema que consenti em participar.


Pelo que vi, e por onde passei, entendo que existe ainda uma parte da instituição que busca a coerência, a ética e o zelo, porém uma grande maioria, aproveitam-se disso em benefício próprio. Ainda existem Pastores Assembleianos éticos e respeitosos, mas pagam um preço por serem assim; Como em qualquer seguimento da sociedade tem o lado bom e ruim, não é diferente na instituição Assembleia de Deus. 

Em todos esses anos, vi coisas que foram demais. (obviamente que isso não resume a verdade em todos os lugares, ainda existem líderes zelosos. E o que vou dizer não se restringe a um local, mas a realidade de muitas igrejas e denominações). Mas...

Vi Pastores construindo catedrais que levam mais de 20 anos, para elevação de seu nome, e o campo missionário sendo sustentado com um salário mínimo.
Vi Pastores com suspeita seríssimas, sendo simplesmente remanejados para outras congregações. As comissões de mudanças pouco podem fazer, pois muitos deles possuem culpa no "cartório".
Vi e sei de Pastores que por onde passam deixam um rastro de adultérios, dívidas, mentiras e charlatanismo.
Vi pastores que já não se importam em ter seus salários de R$40.000,00 em lugares carentes.Muitos líderes são até analfabetos, mas com a condição de "ungido" e de autoridade do céu, ludibriam e depositam cargas pesadas nos fiéis. Possuem seus carros importados na garagem em detrimentos do lugar carente onde está localizado o templo. Pregam o dízimo como forma de salvação, para continuar mantendo sua fome por dinheiro.
Conheço líder que sustenta sua luxúria e de seus filhos desocupados com o dinheiro de lavadoras de roupas, diaristas e cortadores de cana, que são coagidos a entregarem tudo para serem supostamente abençoados. Esses Filhos de papai/pastor, não valorizam o dinheiro, vivem as custas do ministério, e sem nenhum tipo de vocação ministerial são separados ao ministério pastoral e reivindicam para si as igrejas mais rentáveis.
Vejo líderes doentes, sem rumo tomar, mas somente não deixam transparecer sua falta de norte.
Estive em convenções que meu maior desejo ao chegar no hotel era vomitar, por não suportar tamanha hipocrisia de lideres nacionais.
Vi pastores que não possuem nenhum contato com as ovelhas, que vivem rodeados de seguranças.
Vi uma igreja que acaba sendo um celeiro de problemas sexuais, onde grande parte dos pastores estão envolvidos.
Vi e vejo jovens pregadores que almejam de todo o coração as benesses ministeriais, como forma de vantagem financeira. Falar para tais acerca da necessidade vigente das igrejas em pagar impostos para acabar com a lavagem de dinheiro e a roubalheira, é a mesma coisa de comprar briga, pois num suposto zelo, a mentalidade desses estão na verdade no desejo de não perder nenhuma parte desse bolo de mamon.
Vejo cantores (ou tentam ser) vendo Jesus como produtor musical. Tentam provar pra eles mesmos que a vontade de serem famosos e ganhar dinheiro, na verdade é desejo de fazer a "obra". Só se for a obra deles.
Vi pastores ditadores, bravos, que transformam igrejas em quarteis, e o povo com uma sinceridade ignorante seguem tais líderes, com a falsa sensação de obediência a Deus.
Vi e estive com líderes que perante o povo se apresentavam como santos, mas nas rodas de amigos, são depravados e sem nenhum pudor.
Vejo lideres machucados, depressivos, sem saber que direção tomar, e muitos ficarão assim até a morte.
Vejo uma palhaçada gospel, na qual pela tentativa de um suposto avivamento, vale tudo nessas campanhas de curas e milagres, trazendo aos presentes mais culpa e medo, ameaçando as pessoas a virem para suas denominações para não irem para o inferno. Alias, não vejo Jesus, marcando campanhas, dando datas para o milagre, nem tão pouco ameaçando as pessoas por exercerem o livre arbítrio, que ele mesmo deu. Nada é por força ou violência.

Em todos esses anos vi a ganancia por dinheiro sendo transformada e legitimada por um suposto amor a mensagem pregada, por itinerantes descompromissados. Pastores que viajam o Brasil vários dias, e até meses, deixam suas esposas e filhos em casa, e por onde passam deixam um rastro de iniquidade. Dizem amar o reino, mas o que amam na verdade são os caches que serão usados para complementar a renda. Até começam com sinceridade, mas a ganancia toma conta; quando dão por si, estão cobrando altos valores, selecionando igrejas, e extorquindo os crentes nos apelos que fazem para tirar sua porcentagem de oferta. Com o passar do tempo aprendem o que o povo gosta, preferem mensagem que frisam o sofrimento e uma vitória que nunca virá. Ministram sermões vazios da graça e cheios de exaltação antropocêntrica, enfatizam uma pirotecnia pentecostal desprovida de verdade bíblica.

Conheço pregadores que ganham a vida, sendo convidados para darem “palavras de oferta”. Pastores locais que querem construir e não conseguem os valores necessários, chamam esses pregadores, que fazem todo um apelo emocional, tiram o dinheiro do povo, pegam sua porcentagem e vão para outro lugar. Assim vão ganhando a vida. Esses fazem uma grande confusão da vida ministerial, confundem dons de pastoreio, de evangelista, de serviço, com uma hierarquia denominacional. Montaram uma escada de ministério que inicia com cooperador, indo até o grau maior, como se fosse a “seleção brasileira” de todo jogador/obreiro. Nesse percurso a ser trilhado, vale tudo: Pagar para passar no crivo, quem tem o dízimo mais gordo, etc.

Conheço missionários que amam ver desgraças e tragédias em seu local de trabalho, pois a partir disso, podem registrar através de fotos e vídeos, publicar como forma de obterem os recursos necessários de agências missionárias. Quando os recursos chegam, a maioria vai para seu bolso. Assim como também conheço missionários assembleianos zelosos e que sofrem abandonados por igrejas que prometeram ajudar.

Também vi e vejo membros arrogantes em sua forma de ver a fé. Se orgulham em supostamente manterem a identidade da igreja nas proibições e na valorização dos usos e costumes. Enfatizam línguas estranhas, pula pula na igreja; e ainda não permitem televisão, futebol, corte de cabelo e calça para mulheres, dentre muitas outras coisas, mas são linguarudos, sonegam impostos, traem suas esposas, espancam seus filhos, possuem uma mente pervertida.

Não, não quero mais viver num sistema que insiste (muitos sem saber) em viver um Evangelho de negócios, de valores monetários, na qual Deus transformou-se numa marca publicitária que gera receita.

Não quero mais insistir num sistema onde a loucura religiosa se espalha como uma gangrena. Um lugar onde se tornou quase impossível pregar a liberdade do evangelho, pois o povo não aceita a verdade de Cristo, mas os padrões doentes de uma tradição corrompida. Confundem tradição com Evangelho.

Não quero fazer parte de um sistema religioso que se vale de qualquer subterfúgio em métodos ou fórmulas de crescimento, não entendendo que a simplicidade do Evangelho é tudo o que precisamos.

Estudei, conheci, estive lá, vi de perto muitos desses lideres midiáticos aclamados por muitos. Não quero mais ser rotulado como parceiros de ministérios desses. São monstros devoradores, perigosos, imorais, avarentos.

Não é possível, e não quero mais viver num ambiente onde uma teologia fajuta não consegue dialogar com a arqueologia, com a biologia ou a física, onde o determinismo esta acima da graça, onde a loucura de ser está disfarçada em poder de Deus, onde se existe uma escatologia para trazer pavor ao povo, e não esperança, um lugar onde não posso ter amigos fora do circulo denominacional, onde Deus é conhecido pelo que se nega e não pelo que se aceita, um Deus carrasco. Não quero viver o legalismo, mas a liberdade que Jesus prometeu.

Sei que vários líderes ou membros lendo isso irão se identificar. Alguns estão esperando a oportunidade adequada, outros estão com medo. Também tive esse receio. Mas foi a partir das ministrações do Pastor Caio Fábio, aliada as verdades do Evangelho que consegui libertar primeiramente a minha alma e depois, como o faço agora, a minha existência, desse sistema religioso.

Mas, tenho o mínimo de inteligencia para também saber que muitos irão nos crucificar. Principalmente aqueles que não sabem lidar com a liberdade de Cristo, nem tão pouco com uma interpretação adequada dos textos sagrados. Também nos crucificarão aqueles que não podem e não querem sair do sistema, pois somente possui aquela fonte de renda; Aqueles que também não entenderam textos como: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"; ou, "onde o Espírito está, aí há liberdade". Estes não conseguem seguir a Jesus, sem o vínculo da “igreja/instituição”. Divinizam as “quatro paredes” como se fosse Jesus que tivesse endossado isso. E se estivéssemos no deserto, não adoraríamos a Deus por falta de paredes?

Qual era a denominação de Jesus, ou de Paulo, ou dos discípulos?
As instituições são facilitadoras e funcionam como comunidades terapêuticas (ou ao menos deveria ser), mas não são o caminho para Deus, Cristo o é. Paulo em Coríntios inclusive fala de pessoas que se reuniam para o mal e não para o bem. Isso quer dizer que nem toda instituição é má, e nem todo agrupamento é coerente. Mas o que vale é a simplicidade do congregar, orientado pelo escritor aos Hebreus (10.25) e louvado por Cristo (Onde estiver, dois ou três, reunidos em meu nome, ali estarei no meio deles).

Cremos que a efetivação do Evangelho é supra instituição, ou seja, está acima de qualquer vinculo institucional. Por isso temos a liberdade em Cristo de simplesmente congregar. Como disse John Wesley: “Minha paróquia é o mundo”.

Já ouvi falar por alguns que deixei de ser pastor...rs, grande engano. Seria assim, se visse a vocação pastoral como uma profissão, na qual desligando-me da “empresa” perderia o cargo. Mas não vejo assim, Pastor é uma vocação, é algo dado por Deus, e que independe de vínculo institucional ou de qualquer denominação. Continuarei sendo até a morte.

Entretanto, hoje o farei por outro viés. Voltarei a ser um “fazedor de tendas”, mas nunca deixarei de falar de Jesus. Paulo, um pregador do evangelho, nunca deixou de exercer sua profissão: Construía tendas. O fazia, pois não queria, apesar de legítimo, ser pesaroso aos irmãos em ter que sustentá-lo. Em I Tessalonicenses 2.9 ele diz: “Porque, certamente, vos recordais, caros irmãos, do nosso dedicado e extenuante ministério; e de como, noite e dia, trabalhamos para não vivermos à custa de nenhum de vós, enquanto vos comunicávamos o Evangelho de Deus.”

Diante de tudo isso tomamos a decisão que tomamos com muita dor no coração. Não queríamos sair, amamos a parte boa da instituição, mas tudo ficou insustentável.

Assim caminharemos daqui pra frente. Alguns entenderão, muitos não, outros se negarão a entender. Orem por nós.

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10 comentários:

  1. Essa assembléia ainda é de Deus? Infelizmente essa é a triste realidade de uma instituição que tanto enfatizou o poder do Espírito Santo e que hoje é dirigida por homens.

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  2. Olha a referência dele,Caio Fábio! É o fim dos tempos!

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    1. Minha referência é Jesus. O fato de ouvir e aprender com o Caio não o faz meu guru; ao contrário do que acontece com pessoas que faz afirmações como essa sua.

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    2. Caio Fábio, que divorciou de sua esposa, hoje vive cabeludo e barbudo???? Como pode-se aprender algo de uma pessoa assim????

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  3. Parabéns Gilmar pela coragem de seguir o evangelho puro e simples de Jesus, algo impossível de ser vivenciado dentro do contexto assembleiano convencioanal, onde a instituição é maior que as pessoas.

    Deus lhe use onde você colocar seus pés e sua voz chegar.
    Abraço fraterno,

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  4. Parabéns meu irmão pela coragem e pela sinceridade,lute sempre pela verdade. O mal nunca vence o bem. É que Deus te abençoe poderosamente a sua vida e de sua família, a minha oração por você é essa, que tudo que ia dá errado venha dá certo na sua vida. Amém.

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  5. Querido amigo, eu te entendo muito bem, eu e meu esposo estamos na mesma situação, imagina que eu ouvi de alguém com quem comentei o desejo de fazer o mesmo que você fez, é a pessoa me disse:pense bem , o que vocês irão fazer, pois se pedir desligamento da igreja, Deus vai te desligar do céu, ela se apoiou no texto, em que tudo que desligadas na terra será desligado no céu, não consegue ver que nosso real compromisso é com Cristo,sabemos do nosso chamado,e acima de tudo,o que somos em Cristo. Firmes em Cristo sempre.

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  6. Querido amigo, eu te entendo muito bem, eu e meu esposo estamos na mesma situação, imagina que eu ouvi de alguém com quem comentei o desejo de fazer o mesmo que você fez, é a pessoa me disse:pense bem , o que vocês irão fazer, pois se pedir desligamento da igreja, Deus vai te desligar do céu, ela se apoiou no texto, em que tudo que desligadas na terra será desligado no céu, não consegue ver que nosso real compromisso é com Cristo,sabemos do nosso chamado,e acima de tudo,o que somos em Cristo. Firmes em Cristo sempre.

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  8. AMEM MEU QUERIDO IRMÃO... VC É MAIS UM DOS MUITOS E MUITOS QUE ESTÃO DESPERTANDO DO SONO PROFUNDO.....ESSES CÃES GULOSOS E FAMINTOS POR DINHEIRO..ESTÃO ACABANDO DIA POS DIA COM AS ASS.DEUS......DEUS NÃO PRECISA DE DINHEIRO...PRECISA DE BONS CORAÇÕES PARA FAZER A OBRA....A IGREJA TEM SIM SEUS COMPROMISSOS FINANCEIROS..MAS É ÁGUA..LUZ ..E TELEFONE...E AI PRA ONDE AS GRANDES QUANTIAS DE DIZIMOS VAI....É MUITO DINHEIRO PRA POUCOS COMPROMISSOS....MAS AI É ONDE ENTRA ...SALÁRIOS DE PASTORES.. AJUDA DE CUSTOS..SALARIOS PRA IRMÃOS QUE TEM CONDIÇÃO DE TRABALHAR MAS NÃO FAZEM..POS JA SE ACOSTUMARAM COM A MORDOMIA....ENFIM...LAMENTÁVEL O QUE VIROU AS ASS.DEUS....

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