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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Convenção do Paraná repudia MDA

Tudo era uma questão de tempo. 

Nos dias 7 e 8 de dezembro de 2016 a Convenção das Igrejas Ev. Assembleias de Deus no Paraná (CIEAD), reuniu-se na cidade de Campo Mourão, no conselho de Pastores Presidentes para decidirem os rumos da denominação com relação ao Modelo de Discipulado Apostólico, o MDA.

O presidente da CIEAD, Pastor Perci Fontoura, tratando do assunto em pauta, o método de igreja celular neopentecostal, que vem ganhando espaço em muitas igrejas das Assembleia de Deus, afrontando o modelo genuinamente bíblico.

Após longo debate e diversos oradores sobre o assunto, o plenário juntamente com a Mesa Diretoria, RESOLVE emitir o esclarecimento que consta abaixo: 


Fonte: http://www.cieadep.com.br/2016/12/nota-de-esclarecimento.html


No ano de 2014 fiz um artigo completo sobre a origem e os perigos do MDA. Quer conhecer? Clique aqui ou abaixo.


 Um Engano Chamado MDA



sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O que é a marca da besta?


Se existe algo que está intrínseco no imaginário coletivo das pessoas, são as coisas relacionadas ao futuro. As religiões possuem suas próprias interpretações e orientações futurísticas, haja vista possuírem suas próprias escatologias.

No meio evangélico isso não é diferente. A cada ano ampliam o arcabouço escatológico, mas a matriz continua a mesma. A visão pré-milenista, pré-tribulacionista é a mais usada no meio pentecostal, uma vez que também bebem na fonte do dispensaciolanismo e consequentemente abrem espaço para argumentos tão pífios quanto esse de que um CHIP de identificação tecnológico será a marca da Besta.

Não quero falar necessariamente da linha teológico-escatológica pentecostal, mas falar de que a marca da besta sendo um CHIP é um argumento antibíblico e muito difundido no Brasil no meio Evangélico, que a cada época tem uma nova moda escatológica. Hoje o problema se agrava pelas redes sociais.

USO DO CHIP

A base para todo esse alvoroço está em Apocalipse 13. 15 e 16
“Foi-lhe concedido também dar fôlego à imagem da besta, para que a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta. E fez que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, lhes fosse posto um sinal na mão direita, ou na fronte,”


Foi usando esse texto que muitos evangélicos acreditam que existirá um tempo em que o anticristo obrigará as pessoas a implantarem um Chip de identificação na mão direita ou na testa, favorecendo-os a comprarem, a venderem, ou exercerem sua cidadania na Grande Tribulação (período de 7 anos em que a igreja já teria sido arrebatada - trata-se de uma linha escatológica). Daí toda tecnologia que surge assemelhando-se a esse texto é tachada de imprópria e perigosa. São muitas as especulações.

Houve um período que a marca da vez era o código de barra. Hoje os mais atrasados estão no CHIP que parece um grão de arroz; os mais atualizados, e não menos equivocados estão numa espécie de computadores vestíveis como tatuagens temporárias.


A implantação de um CHIP na mão, não é algo novo, por isso essa tecnologia já está defasada. Em muitos lugares muitas pessoas já fazem uso como forma de favorecimento de identificação em idosos e deficientes. Ainda tem aqueles que implantavam para armazenar bitcoins. Enfim, o tal CHIP parecido com um grão de arroz que será inserido na pele de uma forma tão invasiva, não pode ser visto mais como tecnologia de ponta.

Hoje por exemplo a tecnologia caminha por outros campos. A identificação facial é uma delas. Quem sabe os evangélicos vão associar isso a marca da besta daqui uns 10 anos, uma vez que vivem atrasados.

O PROBLEMA DA INTERPRETAÇÃO

O livro do apocalipse possui muitos simbolismos. Sua leitura deve ser pautada na observação de tais símbolos e comparações, e acima de tudo nos ensinos de Jesus. A leitura sem essas observações, fará com que surjam interpretações completamente equivocadas e mirabolantes.


Especificamente no Capítulo 13 e no versículo 16, quando fala do sinal/marca na testa ou na mão, o

sentido não é literal. Se você quiser literalizar isso, você precisará literalizar muitas outras partes do livro. Por exemplo, quando a Bíblia faz uso de galardão como coroa, ou que as ruas da Jerusalém celestial são de ouro; isso não se encaixa em nossa fisicalidade, mas é uma tentativa de descrever o que é lindo e imensurável a partir do que era comum para João. Observando outras passagem chegaremos a esse entendimento, uma vez que na interpretação Bíblica existe algo chamado de contexto e sempre deve ser levado em consideração.

Se você gosta de literalizar o livro do apocalipse e trabalhar que a marca da besta de Apocalipse 13.16 é um CHIP de identificação tecnológico, que tipo de interpretação você daria para o Capítulo 9?
“O quinto anjo tocou a sua trombeta, e vi uma estrela que do céu caíra sobre a terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo. E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como fumaça de uma grande fornalha; e com a fumaça do poço escureceram-se o sol e o ar. Da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como o que têm os escorpiões da terra. Foi-lhes dito que não fizessem dano à erva da terra, nem a verdura alguma, nem a árvore alguma, mas somente aos homens que não têm na testa o sinal de Deus.”

Na sequência dos versículos acima, (a partir do 7) o texto vai dar uma descrição do infortúnio enviado à terra. Os seres possuem: Aparência de gafanhoto, semelhante a cavalos, coroa na cabeça, rosto de homem, cabelo de mulher, dentes de leão, couraça de ferro e ferrão de escorpião. Literalize isso e veja o monstro hollywoodiano que vai caminhar sobre a terra. Percebes o erro? Tudo isso vem de forma simbólica. Do mais só serve para causar espanto aos ignorantes.

Outrossim, literalizando a marca da besta como um CHIP de identificação tecnológico, que tipo de interpretação você daria para o versículo 4 do capítulo 9, que diz que os males advindos serão somente para aqueles que não possuírem na testa a marca de Deus?. Será que os salvos terão também um CHIP??? Claro que não! Percebes a bobagem dita?

O texto fala da mesma forma que o livro como um todo diz que a Besta possui várias cabeças, que o diabo é um dragão (algo mitológico), que existirão cavaleiros que trarão guerra, fome e morte, etc. Se consigo achar o simbolismo nas muitas cabeças da besta, porque não consigo achar no sentido da marca?

O QUE SIGNIFICA A MARCA DA BESTA?
No Cap. 13, João, o autor, simplesmente faz uso de imagens cotidianas para explicar como as ações das pessoas estavam e estariam a mercê de um espírito déspota e ditatorial, contrário aos ensinos de Cristo, o anticristo. Como diz Caio Fábio, Roma era a inspiração imediata do autor, e que se transforma numa inspiração arquetípica de algo infinitamente maior para outros tempos. Algo que abraçaria a terra inteira. Daí ele fazer uso das marcas na testa e na mão;


O império Romano marcava os escravos assim, na testa e na mão. Quem os olhassem saberiam que eram escravos. João utiliza-se desse contexto para trazer uma verdade ainda maior. Ele fala de condição de alma e de ações. Eram escravos de mente e de ações (cabeça e mão). Pensavam como escravos e agiam como escravos.

Possuir a marca da besta na testa ou na mão, significa dizer que tais pessoas pensam (testa) conforme o anticristo, e agem (mão direita) conforme os ditames contrários ao Evangelho.

Olhando dessa forma entendemos que muitos já possuem tal marca. Possuem mentes e ações burras, não sabem pensar, e já foram marcados como gado para pensarem e procurarem CHIP onde não existe. Se pensas assim, você já está servindo, pois essa é a ideia, o controle do anticristo inicia-se naquilo que ele quer que as pessoas pensam.

Chega de acreditar que o que me liga ao Anticristo, ou ao diabo, são meios externos, ou o uso ou não uso de uma tecnologia. Parem, por favor! É por isso que já colocaram a culpa no rádio, na televisão, no vídeo-game, no facebook, no whatsapp, no Pokemon Go. Ter uma marca não caracterizava ser do mal ou do bem, mas alguém que estava debaixo de um jugo de opressão. Hoje vivemos nessa esfera tecnológica. Não existe a possibilidade de negarmos isso. Você para ler esse texto está fazendo uso da tecnologia, mas não necessariamente servindo ao diabo.

O que lhe vincula ao Anticristo e ao diabo é se o seu coração é mau. E disso o mundo está cheio. Vivem com ódio, com sentimos de vingança, e postando para todos tomarem cuidado com o CHIP da Besta. Se és um desses, você é um besta, já foi marcado faz tempo!

Uso e sempre usarei as tecnologias, mas nunca serei do diabo. E Sabe pq? Pq meu coração é de Jesus. Sendo assim, o que poderá me separar do amor de Deus? O perigo, a espada, o presente, o porvir, os principados, a internet, os chips, a informática, o vide-game, os anjos?....NADA ou nenhuma outra criatura, poderá me separar do amor de Deus que está em cristo Jesus.

Gilmar Caetano Tomáz

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Esse é o evangelho que você vive?


Como as pessoas estão enganadas, quando o assunto é conhecimento de Deus e o entendimento do evangelho.

 Acreditam que estar com Jesus é manter um padrão disciplinar denominacional, mesmo que sua vida, na sua intimidade, continue do mesmo jeito ou até pior.

Aí vivem um evangelho de mudanças de vestimentas, mas possuem corações despidos de amor.

Pregam liberdade de Cristo, mas são escravos das mesmas drogas lícitas, e do mesmo contingente de traumas e neuroses.

Anunciam a volta de cristo, mas não possuem a paz que ampara a alma. Falam de uma mente transformada por Jesus, mas sua consciência o denuncia, quando pelo transbordar das suas emoções, faz-se necessário uma visita constante, insistente e dolorida, em psicólogos e psiquiatras, mesmo que sua fé não aceita tal expediente, e mesmo quando não o faz para ser confrontado(a), mas para fugir da realidade, que esse “evangelhozinho gospel” não consegue tratar.

O fato é que não entendes o que se passa contigo. Pregas uma vida mais do que abundante na graça, mas por não ter explicações da não resolução de sua guerra interior, diz estar sendo usado por Deus para uma causa especial.

Enfim, o melhor e máximo que podem fazer está naquilo que os outros veem, acerca de disciplinas corporais e performances religiosas de quando estão em grupo.

Mas definitivamente lá no fundo, sabem que não se tornaram melhores como pais, como mães, como filhos, como patrão, como empregado, como amigo, como gente.

Definitivamente, você pode estar experimentando de tudo dentro da religião, só não diga que isso é Evangelho. Pois o Evangelho liberta, e a religião... bem, você sabe o que ela faz.

Gilmar Caetano

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Falta de frugalidade do Evangelho


É triste ver a nação Evangélica sistematizando cada vez mais o Evangelho que é tão simples. 

A intenção de Deus nunca foi confinar sua Palavra à Bíblia (ela é muito mais do que qualquer texto escrito). A religião tem essa intenção. Porque o que está confinado se transforma num pacote vendável, sistematizável, reorganizável conforme a premissa do reorganizador. Surge daí tudo aquilo que a gente pode chamar de "teologia sistemática", que são estas construções lógicas, mas não necessariamente verdadeiras. (Caio Fábio)

Simples assim...


quinta-feira, 31 de março de 2016

Meu desligamento das Assembleias de Deus

Daqui para frente, caminharemos assim...

Nasci e cresci nas Assembleias de Deus. Já fui secretário, tesoureiro, porteiro, cooperador, músico, líder de jovens, e pasmem, até regente. Fui para o seminário teológico, me formei, virei professor. Separado ao ministério Pastoral, fui relator do conselho para jovens em convenção, fiz parte de convenção estadual (não foi do Paraná) e também da CGADB. Preguei em muitas igrejas em diversos lugares do nosso Brasil e também pastoreei como obreiro integral.

Enfim, por bastante tempo, estivemos dentro da instituição, como parte dela, tentando fazer o melhor que conseguíamos, enquanto podíamos, e com as ferramentas que possuíamos. Por um tempo sobrevivemos pelos recursos dela; mas por descontentamento de coisas que iam contra nossos princípios, preferimos não caminhar mais juntos. Em Romanos diz que Bem aventurado é o homem que não se condena naquilo que aprova, por isso nossa decisão. Já faz um tempo que entendemos que a igreja não se resume a placas, nem tão pouco paredes, mas a igreja são as pessoas. Mas pode surgir a pergunta: Mas pq ficou até hoje?
O que fazias dentro dessa igreja? Minha resposta é simples: Cresci nesse contexto, minha família e meus amigos também eram desse ambiente, e ainda o é. Não posso negar o carinho e apreço que nutri emocionalmente com essas pessoas. Também não nego que aprendi e que fui moldado nesse meio. Mas, assim como Paulo decidiu separar-se de Barnabé e trilhar seu caminho, hoje entendemos que essa é nossa melhor decisão. Decisão para a vida!

Não, eu não estou ficando louco, não estou deixando Jesus, muito pelo contrário, me aproximo cada vez mais dEle. Porém, com sobriedade me afasto desse sistema religioso.
Levando em consideração que os incomodados que se mudem, não podia mais ficar. Alias, não seria coerente ficar e viver reclamando o tempo todo de um sistema que consenti em participar.


Pelo que vi, e por onde passei, entendo que existe ainda uma parte da instituição que busca a coerência, a ética e o zelo, porém uma grande maioria, aproveitam-se disso em benefício próprio. Ainda existem Pastores Assembleianos éticos e respeitosos, mas pagam um preço por serem assim; Como em qualquer seguimento da sociedade tem o lado bom e ruim, não é diferente na instituição Assembleia de Deus. 

Em todos esses anos, vi coisas que foram demais. (obviamente que isso não resume a verdade em todos os lugares, ainda existem líderes zelosos. E o que vou dizer não se restringe a um local, mas a realidade de muitas igrejas e denominações). Mas...

Vi Pastores construindo catedrais que levam mais de 20 anos, para elevação de seu nome, e o campo missionário sendo sustentado com um salário mínimo.
Vi Pastores com suspeita seríssimas, sendo simplesmente remanejados para outras congregações. As comissões de mudanças pouco podem fazer, pois muitos deles possuem culpa no "cartório".
Vi e sei de Pastores que por onde passam deixam um rastro de adultérios, dívidas, mentiras e charlatanismo.
Vi pastores que já não se importam em ter seus salários de R$40.000,00 em lugares carentes.Muitos líderes são até analfabetos, mas com a condição de "ungido" e de autoridade do céu, ludibriam e depositam cargas pesadas nos fiéis. Possuem seus carros importados na garagem em detrimentos do lugar carente onde está localizado o templo. Pregam o dízimo como forma de salvação, para continuar mantendo sua fome por dinheiro.
Conheço líder que sustenta sua luxúria e de seus filhos desocupados com o dinheiro de lavadoras de roupas, diaristas e cortadores de cana, que são coagidos a entregarem tudo para serem supostamente abençoados. Esses Filhos de papai/pastor, não valorizam o dinheiro, vivem as custas do ministério, e sem nenhum tipo de vocação ministerial são separados ao ministério pastoral e reivindicam para si as igrejas mais rentáveis.
Vejo líderes doentes, sem rumo tomar, mas somente não deixam transparecer sua falta de norte.
Estive em convenções que meu maior desejo ao chegar no hotel era vomitar, por não suportar tamanha hipocrisia de lideres nacionais.
Vi pastores que não possuem nenhum contato com as ovelhas, que vivem rodeados de seguranças.
Vi uma igreja que acaba sendo um celeiro de problemas sexuais, onde grande parte dos pastores estão envolvidos.
Vi e vejo jovens pregadores que almejam de todo o coração as benesses ministeriais, como forma de vantagem financeira. Falar para tais acerca da necessidade vigente das igrejas em pagar impostos para acabar com a lavagem de dinheiro e a roubalheira, é a mesma coisa de comprar briga, pois num suposto zelo, a mentalidade desses estão na verdade no desejo de não perder nenhuma parte desse bolo de mamon.
Vejo cantores (ou tentam ser) vendo Jesus como produtor musical. Tentam provar pra eles mesmos que a vontade de serem famosos e ganhar dinheiro, na verdade é desejo de fazer a "obra". Só se for a obra deles.
Vi pastores ditadores, bravos, que transformam igrejas em quarteis, e o povo com uma sinceridade ignorante seguem tais líderes, com a falsa sensação de obediência a Deus.
Vi e estive com líderes que perante o povo se apresentavam como santos, mas nas rodas de amigos, são depravados e sem nenhum pudor.
Vejo lideres machucados, depressivos, sem saber que direção tomar, e muitos ficarão assim até a morte.
Vejo uma palhaçada gospel, na qual pela tentativa de um suposto avivamento, vale tudo nessas campanhas de curas e milagres, trazendo aos presentes mais culpa e medo, ameaçando as pessoas a virem para suas denominações para não irem para o inferno. Alias, não vejo Jesus, marcando campanhas, dando datas para o milagre, nem tão pouco ameaçando as pessoas por exercerem o livre arbítrio, que ele mesmo deu. Nada é por força ou violência.

Em todos esses anos vi a ganancia por dinheiro sendo transformada e legitimada por um suposto amor a mensagem pregada, por itinerantes descompromissados. Pastores que viajam o Brasil vários dias, e até meses, deixam suas esposas e filhos em casa, e por onde passam deixam um rastro de iniquidade. Dizem amar o reino, mas o que amam na verdade são os caches que serão usados para complementar a renda. Até começam com sinceridade, mas a ganancia toma conta; quando dão por si, estão cobrando altos valores, selecionando igrejas, e extorquindo os crentes nos apelos que fazem para tirar sua porcentagem de oferta. Com o passar do tempo aprendem o que o povo gosta, preferem mensagem que frisam o sofrimento e uma vitória que nunca virá. Ministram sermões vazios da graça e cheios de exaltação antropocêntrica, enfatizam uma pirotecnia pentecostal desprovida de verdade bíblica.

Conheço pregadores que ganham a vida, sendo convidados para darem “palavras de oferta”. Pastores locais que querem construir e não conseguem os valores necessários, chamam esses pregadores, que fazem todo um apelo emocional, tiram o dinheiro do povo, pegam sua porcentagem e vão para outro lugar. Assim vão ganhando a vida. Esses fazem uma grande confusão da vida ministerial, confundem dons de pastoreio, de evangelista, de serviço, com uma hierarquia denominacional. Montaram uma escada de ministério que inicia com cooperador, indo até o grau maior, como se fosse a “seleção brasileira” de todo jogador/obreiro. Nesse percurso a ser trilhado, vale tudo: Pagar para passar no crivo, quem tem o dízimo mais gordo, etc.

Conheço missionários que amam ver desgraças e tragédias em seu local de trabalho, pois a partir disso, podem registrar através de fotos e vídeos, publicar como forma de obterem os recursos necessários de agências missionárias. Quando os recursos chegam, a maioria vai para seu bolso. Assim como também conheço missionários assembleianos zelosos e que sofrem abandonados por igrejas que prometeram ajudar.

Também vi e vejo membros arrogantes em sua forma de ver a fé. Se orgulham em supostamente manterem a identidade da igreja nas proibições e na valorização dos usos e costumes. Enfatizam línguas estranhas, pula pula na igreja; e ainda não permitem televisão, futebol, corte de cabelo e calça para mulheres, dentre muitas outras coisas, mas são linguarudos, sonegam impostos, traem suas esposas, espancam seus filhos, possuem uma mente pervertida.

Não, não quero mais viver num sistema que insiste (muitos sem saber) em viver um Evangelho de negócios, de valores monetários, na qual Deus transformou-se numa marca publicitária que gera receita.

Não quero mais insistir num sistema onde a loucura religiosa se espalha como uma gangrena. Um lugar onde se tornou quase impossível pregar a liberdade do evangelho, pois o povo não aceita a verdade de Cristo, mas os padrões doentes de uma tradição corrompida. Confundem tradição com Evangelho.

Não quero fazer parte de um sistema religioso que se vale de qualquer subterfúgio em métodos ou fórmulas de crescimento, não entendendo que a simplicidade do Evangelho é tudo o que precisamos.

Estudei, conheci, estive lá, vi de perto muitos desses lideres midiáticos aclamados por muitos. Não quero mais ser rotulado como parceiros de ministérios desses. São monstros devoradores, perigosos, imorais, avarentos.

Não é possível, e não quero mais viver num ambiente onde uma teologia fajuta não consegue dialogar com a arqueologia, com a biologia ou a física, onde o determinismo esta acima da graça, onde a loucura de ser está disfarçada em poder de Deus, onde se existe uma escatologia para trazer pavor ao povo, e não esperança, um lugar onde não posso ter amigos fora do circulo denominacional, onde Deus é conhecido pelo que se nega e não pelo que se aceita, um Deus carrasco. Não quero viver o legalismo, mas a liberdade que Jesus prometeu.

Sei que vários líderes ou membros lendo isso irão se identificar. Alguns estão esperando a oportunidade adequada, outros estão com medo. Também tive esse receio. Mas foi a partir das ministrações do Pastor Caio Fábio, aliada as verdades do Evangelho que consegui libertar primeiramente a minha alma e depois, como o faço agora, a minha existência, desse sistema religioso.

Mas, tenho o mínimo de inteligencia para também saber que muitos irão nos crucificar. Principalmente aqueles que não sabem lidar com a liberdade de Cristo, nem tão pouco com uma interpretação adequada dos textos sagrados. Também nos crucificarão aqueles que não podem e não querem sair do sistema, pois somente possui aquela fonte de renda; Aqueles que também não entenderam textos como: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"; ou, "onde o Espírito está, aí há liberdade". Estes não conseguem seguir a Jesus, sem o vínculo da “igreja/instituição”. Divinizam as “quatro paredes” como se fosse Jesus que tivesse endossado isso. E se estivéssemos no deserto, não adoraríamos a Deus por falta de paredes?

Qual era a denominação de Jesus, ou de Paulo, ou dos discípulos?
As instituições são facilitadoras e funcionam como comunidades terapêuticas (ou ao menos deveria ser), mas não são o caminho para Deus, Cristo o é. Paulo em Coríntios inclusive fala de pessoas que se reuniam para o mal e não para o bem. Isso quer dizer que nem toda instituição é má, e nem todo agrupamento é coerente. Mas o que vale é a simplicidade do congregar, orientado pelo escritor aos Hebreus (10.25) e louvado por Cristo (Onde estiver, dois ou três, reunidos em meu nome, ali estarei no meio deles).

Cremos que a efetivação do Evangelho é supra instituição, ou seja, está acima de qualquer vinculo institucional. Por isso temos a liberdade em Cristo de simplesmente congregar. Como disse John Wesley: “Minha paróquia é o mundo”.

Já ouvi falar por alguns que deixei de ser pastor...rs, grande engano. Seria assim, se visse a vocação pastoral como uma profissão, na qual desligando-me da “empresa” perderia o cargo. Mas não vejo assim, Pastor é uma vocação, é algo dado por Deus, e que independe de vínculo institucional ou de qualquer denominação. Continuarei sendo até a morte.

Entretanto, hoje o farei por outro viés. Voltarei a ser um “fazedor de tendas”, mas nunca deixarei de falar de Jesus. Paulo, um pregador do evangelho, nunca deixou de exercer sua profissão: Construía tendas. O fazia, pois não queria, apesar de legítimo, ser pesaroso aos irmãos em ter que sustentá-lo. Em I Tessalonicenses 2.9 ele diz: “Porque, certamente, vos recordais, caros irmãos, do nosso dedicado e extenuante ministério; e de como, noite e dia, trabalhamos para não vivermos à custa de nenhum de vós, enquanto vos comunicávamos o Evangelho de Deus.”

Diante de tudo isso tomamos a decisão que tomamos com muita dor no coração. Não queríamos sair, amamos a parte boa da instituição, mas tudo ficou insustentável.

Assim caminharemos daqui pra frente. Alguns entenderão, muitos não, outros se negarão a entender. Orem por nós.

Gospel Prime